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Relatório de estágio: o que escrever quando o estágio correu mal

4 min de leitura

O relatório de estágio é o trabalho em que mais estudantes ficam bloqueados. E quase nunca por não saberem escrever. O bloqueio surge porque o estágio não correu como o plano dizia. Houve pouca supervisão, as tarefas foram sempre as mesmas, metade dos objectivos ficou por cumprir. Parece que não há nada para relatar.

Há. O relatório não avalia o estágio. Avalia a leitura que se faz dele.

A estrutura base

Identificação da instituição. O que faz, que dimensão tem, em que área actua e onde se situa o sector em que decorreu o estágio. Entre meia página e uma página. Não é publicidade à empresa. Serve para dar contexto às tarefas descritas.

Objectivos do estágio. Os que constavam do plano, tal como foram acordados. Enunciam-se como eram, não como acabaram por ficar.

Actividades desenvolvidas. É o centro do relatório. Organiza-se por tipo de actividade, não por datas. Um diário dia a dia é a forma mais rápida de tornar cinco meses ilegíveis. Para cada tipo de actividade indica-se o que foi feito, com que ferramentas, com que frequência e o que se aprendeu de novo.

Análise crítica. A secção que faz a diferença. Compara o que o curso ensinou com o que a prática exigiu, e os objectivos previstos com os alcançados.

Conclusão. O balanço das competências adquiridas e do contributo do estágio para a formação.

Quando os objectivos não se cumpriram

Diz-se isso mesmo. Um relatório que declara cumpridos objectivos que não o foram é fácil de detectar, porque as actividades descritas não batem certo com eles. É isso que faz perder nota.

A forma académica de o dizer é factual e sem queixas:

Dos quatro objectivos definidos no plano de estágio, três foram integralmente cumpridos. O objectivo relativo à participação em auditorias externas não foi alcançado, uma vez que não ocorreram auditorias no período do estágio.

Segue-se a análise: o que impediu, o que foi feito em alternativa, o que teria sido necessário. Uma análise honesta de um objectivo falhado vale mais do que uma declaração vaga de sucesso. O guia sobre objectivos não cumpridos tem mais exemplos.

Quando as tarefas foram repetitivas

Descreve-se o processo, não a repetição. Em vez de "arquivei documentos durante três meses", explica-se o que esse arquivo implicava. Que critério de classificação se usava, em que sistema, que volume, que problemas surgiram e o que poderia ser melhorado. O trabalho administrativo também tem processo, e o processo pode ser descrito.

Se a aprendizagem foi pouca, essa constatação também entra na análise crítica. Basta fundamentá-la, sem transformar a secção num desabafo.

Quando houve pouca supervisão

Acontece com frequência e pode ser dito. Descreve-se o acompanhamento que existiu de facto, com que frequência e de que forma. Se foi escasso, explica-se como as dúvidas foram resolvidas: com colegas, com a documentação, por tentativa e erro. Isso demonstra autonomia, e a autonomia também é avaliada.

O que evitar

  • Copiar o manual de procedimentos da instituição. Enche páginas e não demonstra nada sobre o estagiário.
  • Relatar o estágio dia a dia. Agrupa-se por actividade.
  • Elogiar a instituição em vez de a analisar. O relatório não é uma carta de agradecimento.
  • Deixar a análise crítica para o fim, com duas linhas. É a secção que mais pesa na nota e a que mais vezes é despachada.

Antes de entregar

Convém ler os objectivos e as actividades seguidos. Cada objectivo deve ter actividades que lhe correspondam, e cada objectivo falhado deve estar explicado. Se essa ligação não for clara para quem escreve, também não o será para quem avalia.

O Appto monta a estrutura do relatório a partir do contexto do estágio, ou seja, a instituição, a área e os objectivos do plano, e mantém os objectivos, as actividades e a conclusão ligados ao longo da escrita.

Com a estrutura definida, falta escrever. O Appto trata disso.

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